II. Razões para viver bem no lar
Pedro dá duas razões para que os maridos tratem a esposa com conhecimento, sensibilidade e dignidade.
A. Iguais apesar de diferentes
A primeira razão é: se por um lado a esposa é o vaso mais frágil, por outro, ela é igual ao homem. As esposas vão receber a mesma vida que Deus dá aos maridos, explica Pedro. Elas são juntamente herdeiras da mesma graça divina (1Pe 3.7). A Bíblia ensina que há uma diferença fundamental entre o homem e a mulher. Essa diferença remonta ao tempo da Criação. A mulher é o vaso mais frágil. Foi assim que Deus a fez. Isso não quer dizer que ela não possa exercer determinadas atividades que tradicionalmente eram do homem, mas isso não diminui a diferença entre ambos. Por outro lado, a Bíblia ensina que o homem e a mulher são iguais em valor diante de Deus. As Escrituras nos ensinam a igualdade essencial do homem e da mulher bem como as diferentes atribuições de ambos em seus papéis na igreja e na família.
Na passagem que estamos estudando, Pedro ensina que ambos, homem e mulher, têm o mesmo valor diante de Deus, sendo participantes da mesma graça da vida. O homem não é melhor que a mulher em nenhum aspecto, espiritual, moral, intelectual ou emocional, pelo contrário, ambos são pecadores que precisam da graça (Rm 3.10,23; 5.12,18).
Quando o marido reconhece que ele é diferente da sua mulher, conscientiza-se de que tem determinados papéis a cumprir por causa destas diferenças, e os assume. Quando ele reconhece que a esposa vai herdar com ele a mesma vida eterna que Jesus Cristo prometeu, passa a tratá-la com dignidade e respeito. Aí temos o equilíbrio.
B. Não ter a oração interrompida
A segunda razão que Pedro apresenta aos maridos para que tratem a esposa como convém é que o relacionamento conjugal influencia diretamente na vida de oração. Ele diz “para que não se interrompam as vossas orações” (3.7b).
A advertência de Pedro pode ser entendida de duas maneiras. Primeira, Pedro adverte que conflitos, gritarias e coisas do gênero por parte dos maridos fazem com que Deus interrompa as respostas às suas orações. Se os maridos falharem em seu papel, haverá reflexos em sua vida espiritual. A força do argumento de Pedro repousa no fato de que todo marido cristão sabe da importância de manter sempre ativo e vivo o seu relacionamento com Deus. Este argumento não valeria para maridos descrentes. A interrupção das orações é parte da disciplina que Deus impõe ao marido faltoso.
Muito embora Pedro não afirme explicitamente, subentende-se que quem vai interromper as orações é o próprio Deus. Na verdade, podemos dizer que não são as orações que serão interrompidas, mas as respostas que Deus daria a elas. Deixar de ter as orações respondidas é de fato um castigo severo para qualquer cristão. É uma indicação de quão seriamente Deus vê o tratamento que os maridos devem dar a sua esposa.
A segunda explicação para a advertência de Pedro é que ele pode estar dizendo que os conflitos e agressões separam o marido e a esposa, de modo que as orações domésticas ficam interrompidas. A forma de ameaça de Pedro, neste caso, é exatamente a importância das devoções familiares para a manutenção da vida doméstica. A ameaça de ter as orações com a esposa interrompidas deveria levar os maridos a refletir nas consequências de suas atitudes. Pedro destaca o valor da vida de oração do marido e da esposa. Oração mútua não pode existir onde não há amor e perdão mútuos.
Conclusão
O marido deve amar sua esposa e buscar viver bem dentro do seu lar, com discernimento, conhecendo a si mesmo, a sua esposa e a Deus, tratando a esposa com sensibilidade, como parte mais frágil, com dignidade e com toda honra. Por fim, o marido deve agir assim dentro do seu lar porque ambos são iguais diante de Deus, e para que não tenha suas orações interrompidas.
Aplicação
Marido cristão, você deve tratar bem a sua esposa, como parte mais frágil, dentro e fora do seu lar. Procure saber quais são as suas atitudes que causam ira ou tristeza na sua esposa e evite-as. Ao mesmo tempo, procure conhecer mais a sua esposa, seus gostos, desejos, vontades, aquilo que a agrada e a torna mais feliz. Jamais levante um dedo para a sua esposa. Trate-a com carinho e respeito. Lembre-se que palavras machucam mais do que gestos, então, seja delicado nas palavras. Faça elogios à sua esposa, em família e em público. Evite chamar a atenção de sua esposa, discutir com ela ou ofendê-la em público. Resolva as suas diferenças entre vocês dentro de sua casa, com muita sabedoria. Não exponha sua esposa a uma situação ridícula, como brincadeiras ou piadas de mau gosto. Seja um marido meigo, romântico, doce, simpático, afetuoso, compassivo e perdoador. Principalmente, seja um marido crente, de oração e cheio do Espírito Santo.
Além destas ações, o que mais você pode fazer para demonstrar seu amor por sua esposa?
FONTE:
Estudo publicado originalmente pela Editora Cultura Cristã, na série Nossa Fé -– A Bíblia e a Sua Família:

Nenhum comentário:
Postar um comentário