Testemunho MARAVILHOSO de Dennis Jernigan

O DENNIS JERNIGAN MINISTROU NO CONGRESSO DE LOUVOR E ADORAÇÃO DA IGREJA BATISTA DA LAGOINHA EM 2004. 





"Sinta como Deus pode curar feridas interiores, restaurar vidas e nos livrar das mentiras de Satanás.

Deus não muda. Ele é o mesmo ontem, hoje, e sempre!

Ele pode fazer o mesmo com vc! Ele pode mudar a sua história. Sua Palavra tem o poder de transformar vidas!!! Se deixe ser transformado pelo Senhor!!!

Glórias a Deus!!! 


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Testemunho de Dennis Jernigan 

Antes de começar minha história, você deve saber que eu desejo trazer honra ao meu pai e mãe terrenos, assim como ao meu Pai celestial. A razão pela qual eu quero dividir com você as coisas que estou para dizer é porque eu acredito que muitas pessoas estarão aptas a se identificar com o que eu vivenciei. Meu maior desejo é que você venha a conhecer o Pai mais intimamente do que eu conheci. 

Porque todos nascemos pecadores, temos algumas necessidades muito básicas. Sim, nós temos necessidades físicas. Mas eu estou me referindo às muitas necessidades emocionais e espirituais com as quais nascemos. Criançinhas ganham sua identidade através de seus pais. Eu posso me lembrar de quando era um garotinho e desejava a aprovação e aceitação de meu pai em todas as áreas de minha vida. Sendo eu mesmo pai tanto de garotos quanto de garotas, eu posso ver não somente como os meus filhos precisam de mim para ajudá-los a compreender “quem eles são”, mas também minhas filhas. Uma de minhas filhas pode “fazer” seu próprio cabelo e vir até minha esposa, Melinda, e perguntar se ficou bom. Mas é necessária a aprovação do papai antes que ela realmente acredite que parece aceitável. 

E não seria isso o que deveria acontecer com nosso Pai celestial? Eu desejo ganhar meu valor e aceitação de meu Pai celestial, e quem ele diz que eu sou. Assim eles não se tornam dependentes de mim mas estão aptos a transferir suas necessidades profundas para o seu Pai celestial. Eu percebo que nunca serei perfeito como pai, marido, líder de louvor ou pessoa. Mas meu Pai é perfeito em tudo! Minha cura veio e continuará a vir à medida que eu busco um relacionamento íntimo com ele e dou minha vida a ele. 

Eu nasci em Sapulpa, Oklahoma. Bem antes de meu nascimento, meus pais se mudaram para a fazendo que meus avós tinham construído – a fazendo onde meu pai cresceu. Eu vivia a quase 5 quilômetros da pequena cidade de Boynton, Oklahoma (com uma população de aproximadamente 400 pessoas), onde meus irmãos e eu íamos à escola.

O Senhor me capacitou a tocar piano desde bem novo. Desde o tempo em que tinha nove anos eu já estava regularmente tocando nos períodos de louvor na Primeira Igreja Batista. Essa era a igreja que meu avô pastoreava, além de ter sido a igreja onde meus pais se conheceram. Meu pai liderava louvor lá desde os tempos mais remotos de que me lembro (assim como ele faz hoje). Quando eu tinha cerca de seis ou sete anos, minha avó Jernigan se mudou de volta para a fazenda, em um trailer perto da velha casa de fazendo onde nós vivíamos. E todos os dias depois da escola eu podia ser encontrado na casa de minha avó praticando piano – convenientemente me esquecendo de minha tarefas diárias. 

Foi através de minha avó Jernigan que o Senhor me ensinou a tocar piano. Já que vivíamos tão longe de qualquer cidade com um professor de música, eu tive que aprender piano de ouvido. Minha avó era muito paciente comigo e me ensinou como harmonizar para tocar na igreja. Foi também minha avó que me disse que havia mais em um relacionamento com Jesus do que ser salvo. Uma vez ela me disse que reconheceria meu avô Jernigan quando ela fosse para o céu porque o Senhor tinha dito a ela seu “novo nome em glória!” Eu estava boquiaberto! Deus falou com minha avó, mas eu nunca pude ouvi-lo falar comigo. Não há necessidade de dizer que eu cresci muito próximo àquela bondosa mulher. Passariam muitos, muitos anos antes de eu perceber o grande impacto que ela haveria de ter e está tendo em minha vida. 

Meu relacionamento com meus pais, de acordo com o que conversei com muitas pessoas no passar dos anos, foi bem típico de minha geração. Não éramos uma família muito afetuosa. Mesmo sentindo afeição por minha mãe, não me lembro de demonstrações de afeição física de meu pai ou entre meus irmãos e eu. Meu pai trabalhava muito. Não éramos pobres, mas também não éramos ricos. Além de trabalhar na fazenda, meu pai era empregado de uma companhia de utilidades e trabalhou eventualmente como mecânico por muitos anos. 
À medida que fui crescendo, Deus foi me lembrando de muitas formas que meu pai expressou afeição e amor por mim enquanto eu crescia. Meu problema não foi o meu pai. Meu problema era que eu acreditei em uma mentira. Uma vez que Satanás meteu o pé na porta de meu coração, qualquer rejeição – não importa o quão grande ou pequena – foi percebida como uma falta de amor da parte de meu pai (ou de quem eu rejeitava naquele momento). 

Olhando atrás, eu percebo que era uma criança muito egoísta. Mesmo em minhas primeiras lembranças eu achava difícil acreditar que alguém me amava. Eu me achava indigno. Já que eu não acreditava que alguém me amava, eu realmente não podia receber amor. O que eu descobri, assim, foi que se eu fizesse alguma coisa bem, as pessoas gostariam de mim. Então, eu tentei ser o melhor em qualquer coisa que fiz: trabalhos da escola, basquete, música e tudo o mais. Mas eu fiquei frustrado porque não importava o quão bem eu me saísse, parecia que nunca era bom o suficiente. Eu era muito miserável e me sentia sempre sozinho (embora não estivesse). Os esportes e a escola não estavam me dando nenhuma esperança, nem a música. 

Justamente porque eu fiz escolhas baseado em como ou no que eu percebia que as pessoas pensavam de mim, eu me tornei uma pessoa muito egoísta – usualmente às custas dos outros e mais freqüentemente às custas de meus irmãos menores. O que as pessoas pensavam era tão bom que minha performance externa logo começou a esconder as dores e falhas mais profundas do meu coração. E eu devo acrescentar que meu pai e mãe nunca perderam um evento sequer em que eu estivesse envolvido enquanto eu crescia. Isso deveria ter me deixado orgulhoso, mas eu ainda preferi acreditar em uma mentira. 

Agora eu preciso lhe contar sobre o que eu considero a mais dolorosa parte de minha vida, uma parte que eu tentei esconder. Já que eu me sentia rejeitado, eu permiti que isso permeasse cada parte de minha vida (o que eu não percebia era que Satanás estava mentindo para mim enquanto tentava me afastar do plano de Deus para a minha vida). Isso incluiu a parte sexual de minha vida. 

Quando eu tinha cerca de 5 anos de idade eu tive um dos meus primeiros encontros sexuais com outro homem. Em um banheiro público, um homem adulto se expôs para mim de maneira ameaçadora. Ainda que eu tenha feito a coisa certa correndo dali, eu ainda me remetia de volta àquele encontro e me perguntava: “Por que ele me escolheu para fazer aquilo? O que está errado comigo? O que o atraiu a mim?” Outro aspecto que me levou a esse processo mental foi o pensamento de que meu pai não me amava, porque ele não me dizia isso. E ele não me tocava de outras formas que pudessem demonstrar isso. Nós não éramos os mais afeiçoados como homens Jernigan! Não é necessário dizer que minha identidade – minha sexualidade – foi afetada pela forma que eu pensava que os outros me notavam e, porque isso aconteceu tão cedo, eu acreditei que tinha simplesmente nascido deste jeito. 
Nesta área eu me sentia tão tímido e com medo de rejeição que me tornei ainda mais egoísta e pervertido em meu jeito de pensar. Enquanto garoto eu precisava de um modelo que me mostrasse a correta masculinidade, mas porque me sentia rejeitado pelo principal homem de minha vida eu, em retorno, o rejeitei e comecei a desejar intimidade com um homem de uma forma pervertida. Por causa desses pensamentos errados eu passei a acreditar que era homossexual. 

Isto deve ter começado bem cedo em minha vida, porque eu me lembro de ter aqueles sentimentos pelo mesmo sexo quando era muito novo. Eu escondi isso dos outros durante meu tempo no colégio e durante os meus quarto anos na Universidade Batista de Oklahoma, ainda que não me escondesse daqueles com quem tinha relações. 

Devo acrescentar que mesmo envolvido com homossexualismo durante meus dias de colegial eu ainda me recordo daquele tempo com carinho. É olhando atrás que posso ver a formidável e poderosa mão de Deus ministrando Seu amor a mim no meio de meu pecado e confusão. Por causa de minha falta de treino musical enquanto crescia, meus estudos musicais na Universidade Batista de Oklahoma foram como aprender toda uma nova linguagem. Estar apto a ler e escrever a música que eu podia ver e ouvir era como todo um novo mundo se abrindo para mim. Isso seria muito valioso mais tarde em minha vida, quando comecei a expressar meu coração e sentimentos em canção. 

Uma das mais dolorosas partes de minha história veio durante o mês de Janeiro de 1981. Sendo um jovem com necessidade de afirmação e atenção masculina, eu fiquei muito entusiasmado quando um homem que eu respeitava muito começou a prestar atenção em mim. Vinte anos mais velho, casado, com filhos e respeitado na comunidade; eu olhei para esta pessoa. Sendo um “Cristão”, ele se aproximou de mim com uma atitude de cuidado com relação ao meu bem-estar. Sendo alguém que se sentia tão rejeitado como eu era, ter alguém que me ligava e perguntava regularmente como as coisas iam comigo fazia minha vida deprimente, de alguma forma, mais “dentro do rumo”. 

Depois de muitas semanas ganhando minha confiança através de saídas para uma Coca-cola ou simplesmente dirigindo pela cidade me perguntando como ele poderia orar por mim, comecei a confiar nesta pessoa imensamente; tanto que cheguei ao ponto de perguntar a ele se eu poderia dividir meu mais profundo e negro segredo. 

Então eu descarreguei meu fardo – e imediatamente sento o peso do mundo sobre os meus ombros, por alguns momentos, até perceber que ele estava avançando sexualmente. Naqueles poucos momentos, senti completo desespero enquanto desistia tanto de obter ajuda para o meu problema quanto da perversão. 

Eu saí daquele encontro tão usado e imprestável que decidi tirar minha própria vida. Eu desejava paz mais do que desejava viver. Então, fui para casa, liguei o gás e me deitei para morrer. Enquanto pensava sobre como isso seria melhor para mim assim como para minha família e amigos – a paz finalmente viria – , meus pensamentos de paz foram interrompidos por pensamentos de “O que a eternidade realmente deve ser? Você está pronto para o que está lá?” E eu não poderia ir adiante com o suicídio. 

Saí daquele episódio e decidi simplesmente viver como eu tinha obviamente sido criado para ser: um homossexual. 

Viajei com um grupo promovendo a universidade para o resto do verão de 1981 e vivi em um relacionamento pervertido com outro homem. Não me orgulho desse fato; só não sei de que outra forma contar a você. Eu pensei que conhecia a miséria antes, mas este verão provou ser ainda mais doloroso. Eu tinha me dado o que eu pensava ser minha real identidade e me tornei ainda mais miserável do que nunca! Então, sendo um bom rapaz batista, decidi que não tinha dado a Deus todas as oportunidades para me curar; então decidi entrar no seminário. Em minha mente, era o suicídio ou o seminário, mas Deus tinha outros planos.

A partir da graduação na Universidade Batista de Oklahoma em 1981, passei o verão viajando com um time promocional da universidade. Durante aquele período em minha vida me tornei muito depressivo na maioria do tempo. Ali eu tinha finalmente terminado a faculdade e não tinha o desejo de desenvolver a verdadeira vocação para a qual eu tinha estudado: música na igreja. Acrescente a isso o sentimento de que tudo o que eu tinha guardado por segurança não estaria mais disponível para mim aliado a uma nada saudável dependência emocional de outra pessoa, e você tem a receita da desesperança. Eu me lembro desse sentimento muito bem. 

Sendo um bom garoto batista do Sul, me inscrevi no seminário para continuar minha educação. Para mim, isso era como cara-ou-coroa: suicídio ou seminário. Percebi isso desde que vi que não tinha direção para o próximo passo de minha vida, e deveria, assim, adquirir minha educação – e lá no fundo senti que poderia recapturar um pouco daquela segurança perdida que encontrei na faculdade. O único problema era que mesmo tendo me inscrito no seminário eu ainda não tinha paz. Percebi, naquela hora, que eu simplesmente deveria ter escolhido o seminário errado! Então, adivinhe: me inscrevi em outro e ainda assegurei um colega de quarto – um colega da faculdade. 

Ainda não tinha paz. 

Três dias antes do dia que eu deveria partir para Louisville, Kentucky, um amigo formado da UBO me ligou e começou a dividir algumas idéias muito interessantes comigo. Em poucas palavras, esse amigo tinha se graduado um ano antes de mim. No tempo entre sua graduação e a minha, Deus tinha começado a impactar sua vida grandemente. À medida que ele começou a buscar Deus, ele começou a experimentar níveis mais e mais profundos de intimidade com o Pai, e começou a ouvir a voz do Senhor falando ao seu coração. Ele me contou muitas das coisas que Deus estava fazendo em sua vida. Eu poderia dizer, por sua voz e por sua paixão, que isso era algo diferente – ou mais profundo – do que eu tinha conhecido na faculdade. Ele teve a minha atenção. À medida que ele falava, a conversa se tornou a razão de sua ligação. Deus esteve falando com ele sobre mim. 

Ele me disse que Deus tinha vindo a ele em sonho e mostrado muitas coisas em minha vida que Deus queria fazer. No sonho, Deus estava me dando muitas, muitas canções, e ele, eu e outro aluno mais chegado da UBO estávamos ao redor de um piano cantando-as. Fui movido pelo que ele compartilhou porque suas palavras tinham tocado em algo guardado no profundo de meu coração: o anseio de liberar a música que eu sabia que estava lá! 

Mas ele não parou ali. Ele prosseguiu em contar que, em seu sonho, eu estava vivendo com ele e sua mãe em Del City, Oklahoma, e que se sentiu impelido a me convidar para ir e viver com eles! Isso por si só era algo impressionante. Mas o que ele compartilhou depois basicamente selou meu “destino”, se assim posso dizer. Ele me disse que sua mãe tinha sido visitada pelo Senhor com o mesmo sonho e eles dois queriam oficializar o convite para que eu fosse, vivesse com eles e visse o que Deus iria fazer. Essa idéia soou louca suficiente para ser a vontade de Deus! Então, fui até meus pais e contei sobre o convite de meu amigo. Eles sabiam que eu não estava particularmente feliz com minha vida e que algo não estava certo. Eles sentiram que uma quebra com a escola seria bom para mim. Então, três dias depois eu estava vivendo em Del City, Oklahoma, começando o cumprimento do sonho de um amigo e da jornada espiritual de descoberta do meu próprio caminho com Deus. 

Três dias depois daquela conversa com meu amigo, eu me encontrei no caminho para Del City, Oklahoma. Minha primeira prioridade era encontrar um emprego. Depois de várias buscas infrutíferas, eu me tornei, de certa forma, aflito. Eu sabia um pouco que Deus estava preste a me dar um dom precioso e compartilhar comigo um “relance” do que era o seu senso de humor! Se você já trabalhou em busca de uma graduação musical ou conhece alguém que já fez isso, você deve entender esse “relance” do senso de humor de Deus. Tendo minha graduação em música, eu rapidamente encontrei um trabalho – dirigindo um ônibus escolar. Tudo bem. O único trabalho que eu pude arranjar foi de motorista de ônibus escolar. Isso realmente pareceu fútil para mim: tendo gastado 4 anos de minha vida para conseguir uma graduação que me habilitasse a obter um trabalho dirigindo um ônibus? Não demorou muito até que eu começasse a perceber o plano de Deus e sua sabedoria naquela situação. Eu tinha uma rota bem cedo e outra à tarde, com várias horas para matar entre elas. 

Justamente porque eu não tinha idéia da verdade de minha identidade e porque não tinha ninguém para me ensinar, eu simplesmente colocava minha Bíblia sobre o piano durante esse meio-tempo, abria nos Salmos e fazia o que Davi fazia. Eu simplesmente fui honesto com Deus. Foi aí que aprendi a ser um recebedor de canções, a esperar em Deus e cantar o que eu sentia ou queria que o sensibilizasse em adoração. 

Todas as manhãs eu tinha duas rotas com 25 minutos entre elas. Durante aqueles 25 minutos eu estacionava meu ônibus escolar em um lugar reservado e escrevia em meu diário. Esse diário foi o método que achei mais eficaz para expressar meus pensamentos mais profundos, negros e íntimos – sobre nada além de me abrir para Deus. Todos os dias eu escrevia sobre dores, desilusões, falhas, emoções e qualquer outro “dado da alma” que achei que precisava sair. O que eu descobri neste processo é que Deus realmente estava interessado em meus sentimentos, fossem eles o que fossem e não importa o quão negros poderiam parecer para mim. 

Encontrei um Pai “aproximável” e desejoso de minha presença. De fato, eu comecei a entender que Deus se deleitava com minha presença mais do que eu jamais poderia me deleitar com a dele! Depois daquele primeiro ano de anotações no diário, senti que Deus me impelia a queimá-lo. Página por página, eu queimei os mais profundos clamores de minha alma e mais horrendos segredos. Gentilmente e ternamente, o Pai me disse que assim como aquele retrato de meu passado estava sendo queimado, da mesma forma Ele tinha limpado o meu passado – e presente e futuro – e para sempre perdoado e esquecido os pecados de meu coração. 

Continuei clamando a Deus no piano dia após dia, muitas vezes literalmente em lágrimas, porque eu tinha tentado viver para Deus muitas vezes no passado somente para me aprofundar cada vez mais nas trincheiras do pecado. Meu conceito de Deus era algo como um policial cósmico – um Deus distante, apenas esperando que eu bagunçasse tudo para que ele pudesse dar um passo atrás em minha vida e me dar um tapa na cabeça. Me senti envergonhado e indigno de Seu amor. Sentia que Deus era “inaproximável”. Mesmo assim, eu não poderia desistir. 

Dia após dia, à medida em que clamava a Deus, comecei a fazer o que eu vi Davi fazer. Não apenas me tornei absolutamente honesto com Deus, mas também comecei a escrever minhas orações, que, para mim, aconteciam em forma de canções. Logo percebi que o amor de Deus por mim não era baseado em quão bem eu me saísse nesta vida, mas em meu reconhecimento de Sua presença em minha vida; não importa quão fundo eu tenha ido no pecado ou quão inconsistente eu tenha sido em meu amor por Ele. Meu coração foi quebrantado quando percebi que não há nada que eu possa fazer para merecer Seu amor, porque Ele me ama incondicionalmente! 
Desde minha formatura na UBO, Deus começou a se mover de formas sobrenaturais, que eu nunca tinha visto! Um desses instantes foi um simples concerto de música. Um grupo chamado “Second Chapter of Acts” (Segundo Capítulo de Atos) iria estar em um concerto em Norman, Oklahoma, e eu soube que deveria ir. Naquele momento de minha vida eu estava procurando alguém que tivesse uma real caminhada com o Senhor. E entre músicos cristãos, eu estava procurando por mais do que entretenimento. Então, fui àquele concerto. Eu sabia, pelas palavras que eles falavam e pelas músicas que cantavam, que aquelas pessoas eram genuínas e a mensagem nasceu de tempos de desespero em suas próprias vidas. Eu precisava de esperança. 

Ouvindo Annie Herring falando e cantando, fiquei estupefato pelo amor do qual ela falava. Esse era o amor com o qual eu tinha sonhado mas ainda não acreditava que estava disponível para mim! Então eu escutei muito atentamente e com grande expectative, até que ela começou a cantar a canção “MansionBuilder” (Construidor de Mansões). Esta canção chamou profundamente minha atenção por causa da simples frase: “Por que eu deveria me preocupar? Porque eu deveria ficar amedrontado? Eu tenho um Construidor de Mansões que ainda não terminou a sua obra em mim!” Repentinamente ela parou no meio da canção e disse: “Há alguns de vocês que estão lidando com coisas que vocês nunca disseram a ninguém, e vocês estão carregando esses fardos. Isto está errado, é pecado e vocês precisam deixar essas dores irem embora e as entregarem a Deus. Vamos cantar essa canção novamente, e eu quero que vocês ergam suas mãos ao Senhor. Todos esses fardos que vocês estão carregando, eu quero que vocês os coloquem em suas mãos e ergam suas dores para o Senhor.” 

Isso tudo era novo para mim em louvor e adoração. Eu antes pensava que isso era somente uma resposta emocional, que realmente não significava nada. Mas você sabe o que isso fez por mim? Assim que levantei minhas mãos, Deus se tornou mais real para mim do que eu jamais tinha imaginado! Meu levantar de mãos foi mais do que um ato físico; minhas mãos eram uma extensão do meu coração. Lembrei-me que Jesus tinha erguido suas mãos por mim – na cruz. Percebi que Ele realmente estava comigo, ao meu lado, desejando andar comigo, me carregar e somente ser honesto comigo. E eu podia ser honesto com Ele! Naquele momento, eu clamei a Deus, ergui aqueles fardos ao Senhor e disse: “Senhor Jesus, eu não posso mudar a mim mesmo ou a bagunça em que me meti, mas tu podes!” 

Naquele momento eu reconheci o fato de que estava totalmente desamparado e voltei tudo em minha vida para Jesus – meus pensamentos, minhas emoções, meu corpo físico e meu passado. Basicamente, tomei a responsabilidade por meus próprios pecados e concedi todo direito a Jesus: meu direito de ser amado e até mesmo à vida.

Por causa de minha escolha em pecar, eu merecia a morte e o inferno, e é aí que Jesus entra. Naquele ponto, algo maravilhoso começou a tomar lugar em minha vida... 

Eu comecei a ouvir o Senhor falar ao meu coração: “Dennis, eu te amo. Eu sempre te amei. Dennis, você é minha criança e eu te amo não importa o que aconteça. Eu sempre te amarei.” Foi então que perdi a necessidade de ser aceito ou amado pelos outros, porque percebi que Jesus me amaria e aceitaria sempre, mesmo quando eu fosse rejeitado pelos outros! Foi também naquele mesmo momento que aqueles pensamentos sexuais e desejos pervertidos foram mudados, e Ele começou a colocar no lugar deles pensamentos santos e puros sobre o que é o amor sexual. Veja, o caminho sexual é um caminho criativo, e Satanás sabe que se ele puder perverter esse caminho, ele poderá perverter e matar a criatividade de Deus em nós. 

À medida que as canções começaram a fluir, eu comecei a procurar outros para as cantarem e para cantar com elas. Logo percebi que se eu simplesmente entrasse com intensidade em Sua presença, não faria diferença se os outros me seguissem. Duas coisas rapidamente se tornaram aparentes para mim. Primeiro, percebi que meu trabalho era simplesmente buscar o coração de Deus. Segundo, entendi que Deus, o Pastor, jamais batia em suas ovelhas ou as forçava a adorá-lo. Enquanto me tornava mais e mais livre em minha expressão a Ele, outros pareceram se aproximar dEle comigo. 

Lembra-se do sonho que meu amigo teve? Assim como em seu sonho, ele e outra amiga (uma contralto) começaram a aprender as músicas comigo em harmonia de três partes, algo muito parecido com o Second Chapter. Logo as pessoas estavam nos pedindo para cantar em encontros ao redor de Oklahoma City. Logo nós estávamos viajando por todo o estado e até estendemos uma viagem para a Virgínia, compartilhando as canções que Deus tinha feito nascer em meu coração. Mesmo compartilhando canções que nasceram de minha libertação do homossexualismo, eu ainda não me sentia livre para dividir abertamente a natureza específica de minha libertação. Aquilo viria no tempo certo! Eu cantei com aquele trio por pouco mais de dois anos e posso dizer honestamente que aquelas sempre serão algumas de minhas mais preciosas memórias. 

Foi durante aquele mesmo tempo que me envolvi com um casal da Igreja Batista em Oklahoma City. Seu lugar em minha vida era o de mentores. Eles se tornaram como pais para mim, e ambos eram ainda muito mais. Eles foram algumas das primeiras pessoas que pareciam querer gastar tempo comigo, despejando suas vidas em minha vida. Eles entusiasticamente demonstraram meu valor e me fizeram sentir como se não houvesse nada que eu não pudesse fazer na força do Senhor. Não demorou muito tempo, depois que os conheci, até que eu pudesse ser achado quase toda noite em sua casa, absorvendo a vida de Jesus que eles tão livremente me davam. Em diversas ocasiões, eu me lembro de conversar toda a noite sobre aspectos espirituais em minha vida e observar o nascer do sol, no outro dia, na mesma conversa! 
Não demorou muito até que estivéssemos nos encontrando toda semana para ter o que chamávamos de “Campfire Meetings” (algo como encontro social de escoteiros) em sua sala. Passávamos tempo estudando a Palavra de Deus e orando um pelo outro. Tínhamos momentos de adoração na garagem, ao redor do piano de armário. 

Olhando para aqueles tempos eu percebo que Deus estava usando aqueles reuniões para me ensinar a liderar outros em adoração, e eu não tive dicas de “como”. Eu estava somente usando meus dons particulares em um grupo de pessoas onde todos estavam buscando uma intimidade mais profunda com Cristo da única forma que eu conhecia. Eu sabia apenas 3 ou 4 cânticos de adoração. Aqueles foram tempos maravilhosos com o Senhor. Olhando atrás, vejo que esse relacionamento era como algo precioso dado a mim durante um tempo de grande necessidade de “nutrição”. 

Mas assim como um filhote de águia crescendo, vem o dia em que é tempo de deixar o ninho. 

O tempo de “ser chutado para fora do ninho” veio pela mão de Deus e foi expedido por meu casamento com Melinda Marie Hewitt em 1983. Esse tempo em minha vida não foi o mais fácil... Eu tentava me ajustar à vida de casado e ainda tentava manter o mesmo tipo de relacionamento de antes com os meus mentores. Isso simplesmente não era possível. Olhando para aquele tempo, é fácil ver que Deus estava trabalhando para me livrar de minha dependência dos outros para adquirir força emocional. É sempre mais fácil e perceber isso do que estar no meio de um tempo como aquele e discernir o que estava realmente acontecendo. 

À medida que o tempo foi passando, aquele casal e eu fomos nos afastando. Não considero esse afastamento uma coisa ruim, mas uma coisa necessária. Para eu crescer, eu precisava deixar o ninho. Para que outros “bebês” fossem erguidos a uma caminhada mais madura, eu precisava deixar o ninho e fazer um quarto para elas. A separação dói, mas ela (se nós permitirmos) pode ser como um bisturi, cortando for a todas as dependências emocionais desnecessárias – o que nos ajuda a lançar o foco de nossa dependência para o dono dela: O Senhor Jesus Cristo. Deus usou aqueles anos em Oklahoma City para lançar fora grande parte da bagagem que eu tinha acumulado através dos anos... Mas ele estava somente começando! 

Isso tudo parecia servir exatamente para mim agora. Quando eu tinha cerca de nove anos, senti o Senhor me dizer que eu teria, um dia, uma grande família... Com nove filhos! Eu pensei: “Deus, você deve estar louco. Como eu posso ter nove filhos se eu tenho desejos homossexuais?” Você vê o que Satanás estava tentando fazer? Deus não estava apenas me abençoando com um casamento maravilhoso e muitas crianças; Ele continuava colocando Sua música em meu coração. A gratidão ao Senhor em meu coração por isso é tão grande que terei todos os filhos com os quais Ele me abençoar e nunca deixarei de cantar louvor ao Seu nome! 
O segredo – a chave, para mim – é saber que Jesus me ama, que eu preciso dEle desesperadamente mais a cada dia e perceber que Ele quer me mudar, mudar meu coração, todo dia. Meu desejo é ir até a Sua presença, me prostrar no altar, de forma que Ele possa me transformar à Sua própria imagem. Veja, quando eu tinha nove anos, Jesus começou a me chamar para Ele. Em 8 de Setembro de 1968 eu perguntei à minha mãe sobre como ser salvo. Ela me explicou o plano da salvação: que todos éramos pecadores e que merecíamos perecer no inferno. Eu fui salvo naquela tarde de Domingo e batizado na mesma tarde. Acredito que fui salvo quando tinha nove anos, mas porque eu olhava e percebia meu Pai celestial através de minha imagem pervertida de meu pai terreno, eu não podia receber plenamente tudo o que Ele guardava para mim, como aceitação e perdão. 

É incrível para mim que Ele tenha me amado o suficiente para preservar a minha vida da forma que fez nesses dias e épocas de promiscuidade, perversão e doenças sexualmente transmissíveis, como a AIDS. Uma coisa que me manteve caminhando durante aqueles anos de minha vida, quando eu sentia que iria desistir e vivia em pecado, foi o fato de que Jesus continuou me chamando. Se Ele era Deus, então havia esperança para mim! A coisa mais preciosa disso tudo é que Ele me ama com todo o Seu coração, e é como eu quero amá-lo. Por causa deste relacionamento com Jesus, minha cura tem sido e continuará sendo um processo continuo, até que eu morra e possa vê-lo face a face! 

Outro ponto prioritário de mudança para mim veio durante esse mesmo tempo em 1981 – ainda outra coisa arranjada por Deus! Um amigo íntimo descobriu sobre o meu passado. Eu sabia que seria desgraçado e rejeitado! Quando ele me confrontou, eu corri da casa e continuei correndo até não poder mais. Naquele ponto, eu simplesmente clamei a Deus que falasse comigo. Na mesma hora, meus olhos foram direcionados a olhar para a escuridão do céu do entardecer, onde eu fui atraído a uma nuvem fofa e branca que flutuava logo acima. Aquela nuvem parecia um homem velho, de barba e com os braços estendidos. Perto daquela nuvem estava outra menor, em forma de cordeiro. Enquanto eu observava, o homem barbado envolvia o pequeno cordeiro em seus braços. Eu soube imediatamente que Deus estava falando comigo: isso era o que Ele queria fazer por mim naquele tempo de necessidade. 

Então, eu tive a graça para retornar e encarar o problema. Mas isso não aconteceu! Aquele amigo era um amigo verdadeiro. Ele disse que me amava e queria estar comigo enquanto eu caminhava naquele tempo de libertação em minha vida. E sabe o que mais aconteceu? Deus começou a trazer outras pessoas em minha vida, que queriam me amar incondicionalmente e andar comigo através das trilhas de minha vida – não importa o que fossem – para minha cura completa. 

Em 1983, Deus me chamou para me casar com minha esposa, Melinda. Presumi que, já que eu me considerava curado, não havia necessidade de compartilhar meu passado com ela. Mas logo percebi que eu estava ainda tentando me esconder, o que significava que eu ainda carregava um fardo e que ainda me importava mais com o que o homem pensaria de mim do que com o que Deus pensava. Logo depois de nos casarmos, os bebês começaram a vir! E, com os bebês, a pressão acrescentada da responsabilidade de lidar com os aspectos reais da cura total em minha vida. 

Esconder a verdade me afastaria da cura que Deus queria para mim. Justamente porque eu escondi essas coisas dos outros, meus relacionamentos nunca seriam verdadeiramente o que Deus queria que fossem, porque no verdadeiro amor não há medo. Eu sempre tinha medo de contar isso para qualquer um, porque eu pensava que ninguém me amaria.

Por que estou contando isso a você agora? Bem, em 18 de Julho de 1988, percebi que Deus queria tirar as grandes falhas e fraquezas de minha vida e fazer delas minha grande força – as coisas que Satanás queria que eu mantivesse escondidas para ele poder usá-las contra mim. Mas assim como a prostituta Maria Madalena, percebi que esconder essas coisas me afastava da comunhão e de amar livremente aquele a quem amo mais, Jesus. E não apenas isso: se eu confessasse meu passado livremente, Satanás não teria munição contra mim.

Então, aqui está o que eu fiz. Em Julho de 1988 eu dividi o que acabei de lhe contar (de forma muito mais resumida!) com minha igreja, e algo lindo aconteceu. As pessoas começaram a compartilhar que tinham sido feridas como eu... E muito mais! Homens e mulheres que estiveram envolvidos em homossexualismo (sodomia), mulheres que foram abusadas por seus pais, aqueles que foram estuprados e nunca disseram a ninguém, e até aquelas que abortaram. À medida que confessavam seus pecados e dores, Jesus pôde começar a curar todo o seu passado. Naquele dia, eu publicamente coloquei minha vida e reputação a serviço de Jesus, de forma tremenda. Assim, eu quis que minha vida fosse quebrada e despejada como o perfume que Maria Madalena usou para lavar os pés de Jesus, mesmo com as pessoas dizendo que ela estava sendo fútil. Quero prostrar minha vida e reputação para os outros, assim como meu Senhor Jesus fez por mim. Imagine aquilo: o perfeito Rei do Universo se humilhou e abriu mão de todo o Seu poder e glória porque Ele me ama! Eu não posso fazer menos! 

Desde o dia em que dividi meu passado publicamente pela primeira vez, Deus tem me chamado para contar a outros o que Ele tem feito por mim: liderar e chamar outras pessoas para a intimidade com Jesus através da avenida da música e da adoração. 

Foi depois de um tempo de compartilhamento como esse, em minha cidade natal, Boynton, em 1989, que eu comecei a perceber a verdadeira profundidade e extensão do grande amor de Deus por mim e o chamado para minha vida – e o papel da visão e oração de minha avó Jernigan sobre meu ministério. Depois de liderar a adoração no Boynton Community Center, uma das velhas companheiras de oração de minha avó me disse: “Não é maravilhoso como as orações de sua avó têm sido respondidas?” 

Em meio a sentimentos de choque e lágrimas de alegria, eu perguntei: “Que orações?” 

E ela respondeu: “Você não sabe? Sua avó me contou como ela ficava ao seu lado enquanto você praticava piano em sua casa todos os dias, e como ela pedia a Deus para usá-lo poderosamente em Seu Reino para liderar em música e adoração! E Ele tem respondido suas orações!” 

Suas circunstâncias, seus pecados, suas feridas podem ser diferentes das minhas, mas a resposta é ainda a mesma: Jesus. Você pode ter sido ferido profundamente. Por aqueles tempos você não é culpado! Se você foi usado ou abusado de alguma forma, você pode ser curado. Não receba a falsa culpa que Satanás tenta colocar em você por causa de circunstâncias que estiveram além do seu controle. Eu estimulo você a sondar o seu coração e as coisas pelas quais você foi (e é) responsável: atitudes, ações, pensamentos e sentimentos. Há esperança para o ferido. Se você é como eu, você precisa de uma cirurgia radical. Cirurgias podem tomar mais tempo do que leva para colocar um band-aid em uma ferida, mas geralmente levam à causa em vez de simplesmente cobrir ou amenizar os sintomas da ferida. Se você deseja isso, você pode voltar à rota do(s) seu(s) pecado(s). Estimulo você a fazer isso e lidar com o que você possa estar visualizando. Eu já estive lá e encontrei o caminho para fora, e preciso dividir minha história – a história de Jesus – com aqueles que estão feridos. 

Todos nós não fomos feridos de alguma forma? 
A “formula” é esta: eu não posso fazer isso um dia sem o Senhor. Eu peço a Ele para me encher com o Seu Espírito dia após dia, momento após momento, e para me guiar. 

Veja, nós somos indefesos e necessitados de que Deus cuide de nós. E Ele é o Pai que jamais nos deixará ou nos abandonará. Ele é o Pai que aprecia a nossa presença mais do qeu nós jamais poderemos apreciar a dEle! Não tenho mais medo do que os outros possam falar de mim (no momento, estou pedindo ao Senhor que me ajudem nesta área!). Por favor, orem por mim e por minha família enquanto buscamos direção de Deus para nossas vidas. Amo vocês. Na graça e no amor de Deus, 

Dennis."
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